O relaxamento do isolamento social e a retomada do comércio trouxeram de volta a rotina de transportes públicos lotados, especialmente nos horários de pico, o que preocupa autoridades sanitárias do ponto de vista da eficácia do esforço em baixar a curva de contaminação pela Covid-19. Não à toa, avolumaram-se reclamações por parte da população que resultaram em novos posicionamentos de entes públicos e privados.

Grande parte do risco potencial de infecção em metrôs, VLTs, ônibus e transporte alternativo depende de quanto esses veículos estão cheios, o que varia de acordo com cada região, rota e horários. Pesquisas anteriores ao coronavírus já indicavam ligação entre o uso desses transportes e a probabilidade de se contrair doenças respiratórias devido à alta densidade de pessoas.

Se um passageiro faz seu percurso em um ônibus ou metrô relativamente vazio, com pessoas sentadas, higiene das mãos mantidas e uso de máscaras de proteção, os riscos mudam. Há que se ressaltar ainda que o tempo que se passa dentro dos veículos, o grau de ventilação deles e a limpeza por que passam são fatores relevantes.

Infecções como a do coronavírus podem ser transmitidas ao tocar superfícies contaminadas (seja a mão de uma pessoa ou a barra de ferro de um ônibus) ou ao respirar gotículas de alguém que tosse ou espirra e que tenha o vírus. As recomendações, tão repetidas, seguem indispensáveis: lavar as mãos, limpar as superfícies sempre que possível e não tossir ou espirrar sem a proteção de um lenço de papel, por exemplo.

O conceito de contato próximo estabelecido pelo Ministério da Saúde é “estar a dois metros de um paciente com suspeita de caso por coronavírus, dentro da mesma sala ou área de atendimento (ou aeronaves ou outros meios de transporte), por um período prolongado, sem uso de equipamento de proteção individual; morar, visitar ou compartilhar uma área ou sala de espera de assistência médica, ou ainda nos casos de contato direto com fluidos corporais”.

Para que isso aconteça nos transportes públicos, o ideal seria que gestores evitassem reduzir as frotas, mesmo que a demanda seja menor durante a pandemia, e precisam considerar as diferentes condições entre centro e periferias.

Os ônibus são espaços de alto risco de transmissão da Covid-19 por terem pouca ventilação e presença de ar-condicionado, além da dificuldade habitual em se manter um distanciamento entre as pessoas. O risco é não só dos passageiros, mas também dos motoristas e cobradores. Além disso, os mais expostos têm sido os trabalhadores pobres e periféricos, obrigados a se deslocarem, desde o início da pandemia, por atuarem em serviços essenciais ou não terem condições de trabalhar remotamente.

A crise sanitária tem feito a sociedade repensar diferentes rotinas. A do transporte público certamente deve estar como prioridade entre elas.

Fonte: Diário do Nordeste