Reportagem: Revista Piauí 

LUIGI MAZZA, AMANDA ROSSI E RENATA BUONO

22out2019_11h15

OBrasil depende muito das rodovias – principal sistema de transporte do país –, mas nem por isso elas são bem cuidadas. A cada 100 quilômetros de pista no país, apenas 14 são pavimentados. E mesmo onde há pavimentação, os problemas são recorrentes, como demonstra a Pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) sobre a qualidade das estradas brasileiras em 2019. Do total de 213 mil quilômetros de rodovias pavimentadas no Brasil, o estudo avaliou a situação de 108 mil quilômetros. Os resultados mostram que, na comparação com o ano passado, o número de pontos críticos nas rodovias – buracos, pontes caídas, erosões na pista e quedas de barreiras – disparou de 454 para 797. O =igualdades desta semana mostra a situação das estradas do país.

A cada 100 quilômetros de rodovia pavimentada no Brasil, 59 têm problemas no seu estado de conservação (ou seja, foram avaliados como regulares, ruins ou péssimos), e 41 estão em bom estado(avaliados como bons ou ótimos).

As rodovias brasileiras têm, pelo menos, 797 pontos considerados críticos. A cada mil quilômetros avaliados, há 7 trechos em condições muito ruins, com buracos, erosões ou barreiras caídas. É uma alta de 73% em relação ao ano passado, quando foram encontrados 4 pontos críticos por mil quilômetros avaliados.

Entre os 797 pontos críticos, 639 são trechos com buracos de larga escala (maiores que um pneu), 130 são erosões na pista26 são quedas de barreira e 2 são pontes caídas.

O problema que mais aumentou foram os buracos de larga escala. Para cada um desses buracos encontrados nas estradas em 2018, passou a haver dois em 2019.

Nordeste tem a malha viária mais comprometida por pontos críticos dentre todas as regiões do país. A cada problema grave nas estradas do Sudeste, há dez nas estradas nordestinas. As duas regiões tiveram praticamente a mesma quilometragem de estradas avaliadas.

Considerando o estado geral das rodovias – não só os pontos críticos, mas também sinalização, pavimentação e geometria das vias – a pior situação é no Norte, onde 77% da malha tem algum tipo de problema. No Sudeste, região com a melhor situação, o percentual é de 47,5%.

No Amazonastodas as rodovias avaliadas têm algum tipo de problema. A situação é tão grave que 16% da pavimentaçãoamazonense está completamente destruída – é como se 16 entre 100quilômetros não existissem mais. A média do Brasil é de 0,9% – menos de 1 a cada 100 quilômetros.

Apesar da má condição das estradas, o número de acidentes em rodovias vem caindo no Brasil nos últimos seis anos. Para cada 10acidentes em 2013, ocorreram apenas 4 em 2018.

Fonte: Pesquisas CNT de Rodovias 2019 e 2018; Painel de Acidentes Rodoviários da CNT.