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Brasil projeta nova infraestrutura de transportes com integração entre modais

PNL 2050 coloca ferrovias e hidrovias no centro do futuro logístico do país, amplia rotas de voos regionais e melhora estruturas das estradas
Publicado em 07/01/2026
Infraestrutura de transportes: investimento para suprir déficit deveria ser cinco vezes maior

Com o desafio de equilibrar uma matriz de transportes historicamente concentrada nas rodovias, o Brasil projeta uma reestruturação logística para fortalecer ferrovias, hidrovias, portos e conexões multimodais para melhorar o escoa mento do setor produtivo. O Plano Nacional de Logística (PNL) 2050 reúne diretrizes e investimentos que buscam reduzir custos, ampliar competitividade e garantir que a infraestrutura acompanhe as demandas crescentes da economia brasileira.

O PNL 2050, lançado pelo Ministério dos Transportes, quer reposicionar o país na rota dos modais eficientes, sobretudo para o escoa mento do setor produtivo. Ferrovias, hidrovias e cabotagem são apresenta das como alternativas para reduzir custos e melhorar a competitividade.

“A cada cinco anos, atualizamos e aprimoramos os planos de transporte rodoviário e ferroviário. Com isso, conseguimos integrar os diversos modais de maneira mais lógica, conectando-os por meio de corredores logísticos. O PNL 2050 traz dados relevantes, com uma matriz que realmente retrata a realidade do país”, afirma o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro.

A análise revela dificuldade de abastecimento interno, saturação de cor redores rodoviários e aeroportuários e ausência de integração territorial. Para Jorge Bastos, presidente da Infra S.A., o novo plano marca um ponto de inflexão. “É fundamental que o Brasil tenha uma carteira estruturada de projetos, porque, sem projetos, mesmo com recursos disponíveis, a execução demora. O PNL dará a diretriz necessária para que possamos realizar esses projetos”, explica. (…)

Portos fora do eixo Santos ganham espaço estratégico

O PNL 2050 também tenta reorientar o mapa portuário do país. Por décadas, cargas vindas do Norte e do Nordeste foram obrigadas a passar pelo Porto de Santos para acessar o mercado internacional, mesmo quando havia alternativas economicamente mais vantajosas. O plano quer ampliar o protagonismo de terminais como Suape (PE) e Paranaguá (PR) e integrar melhor estradas e ferrovias à infraestrutura portuária.

Um diagnóstico detalhado da Infra S.A. mapeou custos, receitas e perfis de carga de todos os terminais brasileiros, criando a base para políticas de expansão e modernização. O documento está em consulta pública e receberá contribuições de especialistas, empresas e cidadãos.

Para contribuir, bastar acessar a plataforma Participa + Brasil até o dia 18 de janeiro de 2026. Após a conclusão do período de consulta pública, serão definidos os cenários–meta preliminares, etapa que orientará a priorização dos projetos e a consolidação das diretrizes do plano, antes de sua incorporação às metas do Programa de Integração Tributária (PIT).

Fonte: Valor Online